3 de junho de 2009

Ainda Sobre a Paródia da Campanha da Monster


Eu até sabia que muita gente ia curtir o vídeo, mas nunca imaginei que em 3 dias ele fosse estar cotado como o 54º mais visto do You Tube. A coisa se espalhou de tal forma que, sem perceber que fora eu quem traduziu e fez o upload, pessoas me repassaram, recomendando que eu assistisse. E os comentários? Muita gente achando graça, outros lamentando, mas todos de certa forma concordando que “é a pura verdade”, se identificando de alguma forma com aquilo.

Eu me divirto com coisas assim. E também com os quadrinhos do Dilbert, com a série The Office (gosto mesmo é da versão britânica) e quando leio livros ou artigos que ridicularizam a vida corporativa. Afinal, para que suar tanto a camisa, virar noites, passar a maior parte do meu dia com pessoas que não escolhi para conviver e não conseguir rir disso tudo? OK, dizem que rir de si mesmo é saudável.

Aliás, outro dia comprei o livro 100 Bullshit Job...And How To Get Them, do Stanley Bing. O cara listou e descreveu 100 profissões e as classificou segundo uma “fórmula matemática” que determina o quociente de bullshit de cada uma delas. E ele ainda explica como seguir essas carreiras e o que esperar do futuro. Hilário, ácido, crítico, bem escrito. Mas, adivinhe! Uma das profissões listadas é a de publicitário...

Segundo Bing, nossa profissão atinge a marca de 100 % de pura bullshit. Um alívio: não pense que estamos no topo da lista. Bullshit é um quociente que pode chegar a muito mais que 100%. No livro há outras profissões que nos ultrapassam no ranking de bullshit, como por exemplo: a moça do tempo, o media trainer, o headhunter, o astrólogo, o chairman etc. Enfim, há bullshits e BULLSHITS.

Porém há coisas que não me divertem. Separando o joio do trigo, eu diria que uma coisa é ler um livro inteligente, assistir a um vídeo que tem conotação crítica e perceber isso. Outra coisa é ter que lidar no dia-a-dia com piadinhas por causa de estereótipos que nos impõem a partir de uma falta de conhecimento total sobre o que realmente fazemos na nossa profissão. Em termos de comportamento, somos estereotipados como egocêntricos-moderninhos (os criativos) e puxa-sacos (a turma do atendimento). E, de uma forma geral, independentemente da área em que trabalhamos, somos os inescrupulosos, os antiéticos, os faz-tudo-por-dinheiro.

O que eu estranho é que todos nós sabemos disso e não há um movimento da classe para reverter o fato, para trabalhar melhor a nossa imagem.

É importante que a gente tenha uma visão crítica do que faz. Embora nem sempre isso aconteça, acho que pensar criticamente faz a gente agir criticamente também. E a cometer menos erros, a respeitar nossa profissão e nossos pares. Mas às vezes me parece que a gente aceita as coisas como “verdade” e acaba levando a vida como se não tivesse jeito mudar alguma coisa para melhor.

Será que no fundo a gente acha mesmo que o que fazemos é pura bullshit?

2 comentários:

Carolina Cunha disse...

Kátia,

Confesso que vi o vídeo assim que vc postou aqui e me diverti, vi várias vezes. Tanto que depois enviei por e-mail para uns amigos da área, além de colocar no meu twitter!

O mais engraçado foi identificar cada personagem no meu dia-a-dia! rs

João Rogério Nhoato. disse...

O que falta mesmo na profissão é a união da classe e não estou falando em pagar sindicato. Há pessoas que pensam realmente ser o último biscoito do pacote, os egos não cabem dentro de si. Penso que exista um caminho muito duro a percorrer para entender certas pessoas da profissão, onde há discordância em momentos de reunião e depois fazem tudo aquilo que você sugeriu. Rola mesmo uma fogueira de vaidades, um certo e inoportuno exibicionismo e falta muita humildade. Disso tenho certeza!