17 de dezembro de 2009

Dentro da Caixa

Ser relevante é em primeiro lugar cuidar do que já está dentro da caixa. Se o seu cliente, o Diretor de Marketing ou o Presidente, não entende do assunto, não reclame, traga o assunto pra ele. Se a equipe do cliente só tem “júnior”, ajude a fazê-lo entender. Veja bem: a gente fala tanto pros nossos clientes que temos que ouvir o consumidor, engajar o consumidor e a gente não vai fazer o mesmo? Tratar da mesma forma o nosso próprio consumidor, que é o anunciante? Se o cliente quer – a grande discussão atual – saber o roi dos esforços de comunicação, quer mensurar ações de marketing, siga junto, crie junto com ele uma metodologia, ou descubra com ele que existem coisas na vida que são imensuráveis, coisas assim como amor, consideração, simpatia etc. E que estas coisas também possuem valor real apesar de serem difíceis de mensurar. E preste atenção! A maior parte desse trabalho é realizado pelo Atendimento (não me canso de repetir, acho esse nome péssimo!...) e pelo Planejamento, não pela Criação. Os profissionais destes dois departamentos possuem hoje uma responsabilidade muito maior do que anos atrás. Têm a responsabilidade de aumentar a relevância das suas empresas junto aos seus clientes. Hoje ser relevante não é só papel da criação publicitária, é papel de todos.

Pincei esse trecho do artigo Que posicionamento de marca, que nada! Isso é negócio., de Gal Barradas, publicado no Meio & Mensagem em 30/11/2009. As reflexões não param por aí. Para ler o texto completo, clique aqui.

16 de dezembro de 2009

O Executivo de Contas do Futuro

Fim de ano é assim, época de refletir sobre o futuro. Por isso a gente apresenta aqui um artigo do publicitário americano Mike Carlton, da Carlton Associates. Nele você vai encontrar um retrospecto da função de Atendimento e projeções de como vamos ter que atuar daqui para a frente. Divirta-se!

O Executivo de Contas do Futuro
(versão Fazendo Atendimento Publicitário)

O Dono do Mundo

O filme O Mercador de Ilusões (The Hucksters, 1947) é um clássico. Se você não assistiu, não perca da próxima vez que passar num desses canais de filmes antigos.

No filme, Clark Gable faz o papel de um executivo de contas. Ele é magnífico. O executivo de contas perfeito. Ele faz o planejamento, escreve os textos, orienta a execução dos layouts, planeja a mídia, administra a relação com o cliente e todo o resto também. Ele faz de tudo.
Mas, naquela época, isso não era incomum. Daí, um executivo de contas podia ser o dono do mundo. Se o cliente tinha sucesso, ele era herói. Se não tinha, estava frito. Além disso, era quase sempre um “ele”.

Muita Coisa Mudou

Hoje tudo é muito diferente. Aquele poderoso executivo de contas está agora a procura de um papel significativo.
Como chegamos até aqui e quais são as oportunidades futuras? Para colocar as coisas em perspectiva, vamos dar uma breve olhada no passado e, aí, considerar as incríveis oportunidades que temos pela frente.

Lenta Erosão
As mudanças no papel do executivo de contas não aconteceram da noite para o dia. Suas responsabilidades foram se erodindo pouco a pouco. Também não aconteceram todas de uma só vez a ponto de nos sufocar, mas, somadas, significaram mudanças realmente dramáticas.
O executivo tipo Clark Gable atuava como “contato-redator”. Mas com advento de departamentos de criação mais robustos, tarefas criativas antes exercidas pelo executivo de conta sofreram uma migração para esses departamentos. Até aí, nada de mais. Ele – e as poucas mulheres que começavam a se juntar ao time – poderiam agora se concentrar em suas muitas outras responsabilidades.
Foi então que, na medida em que a importância da TV aumentou, planejamento e compra de mídia tornaram-se atividades mais complexas, mais sofisticadas. Consequentemente, surgiu a necessidade de ter uma equipe de especialistas nessa função. Outro papel do executivo de contas indo embora.
Com a chegada dos anos 70 e 80, o planejamento como disciplina à parte entrou em voga. O planejamento antes realizadode forma intuitiva pelo executivo de contas tornou-se científico. E um outro time de especialistas pipocou para assumir essa responsabilidade.
Na mesma época, os executivos de conta que respondiam por promoção de vendas, relações públicas e marketing direto viram essas disciplinas também migrarem para as mãos de especialistas, seja de outros departamentos nas agências ou de fornecedores externos.
Isso sem falar no crescimento explosivo da web na década de 90 e a chegada dos especialistas em web e e-commerce.

O Executivo de Contas No Milênio

No final do século, o executivo de contas acabou sendo um pequenino generalista num mar cada vez maior de especialistas.
Sem saber qual a melhor forma de contribuir, muitos executivos de conta se limitaram a área tática, fazendo follow-up dos jobs em andamento. Ou se dedicaram com mais afinco a construir relacionamentos mais personalizados com os clientes. Só que investimento em relacionamento se dava frequentemente com o pessoal júnior do cliente, aqueles com pouca influência estratégica na empresa.
Outros, velhos o bastante para recordar, saudosamente clamavam pelos “bons tempos”. Era quase como se um monte de executivos de conta se colocassem deliberadamente estivessem à margem.

Um Retrato Nada Animador

Além disso tudo, há atualmente quatro grandes movimentos em curso que irão complicar ainda mais o papel do executivo de contas.

1. A Mudança No Consumidor
A mais importante dessas mudanças é controle cada vez maior do sobre as comunicações que recebe. Para que as mensagens tenham ressonância, primeiro eles precisam ser convidados a aceitá-las e, depois, elas devem ter relevância quanto aos seus interesses.
Estamos na era do marketing one-to-one. Se o marketing de massa ainda não está morto, está caminhando para isso. Nesse contexto, simplesmente enviar uma mensagem não é o bastante. Assegurar-se da aceitação e da relevância da mensagem para o consumidor é um desafio a mais.

2. A Mídia Não-Tradicional
Os consumidores (tanto quanto a audiência B-to-B) estão recebendo cada vez mais mensagens de um jeito diferente e não-ortodoxo. O jeito que se consome mídia está mudando rapidamente. A mídia tradicional está em declínio.
Embora uma mídia significativamente forte, a Internet é só uma parte da mudança. A tecnologia está propiciando uma enorme variedade de formas de chegar aos consumidores. Assim como a simples inovação criativa. Dificilmente se passa um dia sem que surja alguma nova técnica para atingir comercialmente os consumidores.

3. As Mesas de Compras dos Clientes
O crescente envolvimento de pessoal de procurement dos clientes aumenta a vulnerabilidade financeira das agências. A sofisticação das relações no nosso negócio, que se baseiam em valor – e não apenas em preço –  será um desafio extra para os executivos de conta.
Tudo indica que a negociação dos contratos vá permanecer no âmbito das gerências mais sênior da agência e do cliente, porém zelar para que o contrato funcione vai exigir esforço daquele que lida com a conta no dia-a-dia.

4. Os Sistemas de Extranet
Sistemas online que permitem a colaboração imediata entre cliente, agência, veículos e fornecedores estão apenas começando a mostrar o seu potencial. Na melhor das hipóteses, podem propiciar que todos os players estejam mais próximos de um jeito rápido e inacreditavelmente eficiente.
Consequentemente, com os sistemas de extranet mais evoluídos e adotados de forma mais ampla, a forma pela qual a informação sobre o trabalho que a agência está desenvolvendo para o cliente será compartilhada e coordenada mudará dramaticamente.

Então, Como o Executivo de Contas Deve Agir?

Primeiramente, esqueça o passado. Aceite o fato de que nunca mais vai existir um executivo de contas do tipo Clark Gable. Essa figura teve o seu lugar numa determinada época, mas não se aplica ao século 21. Isso não significa que o papel do Executivo de Contas vai continuar a encolher. Não por muito mais tempo.
Entretanto, ele vai precisar se reinventar.

Acreditamos que o renascimento do papel do Executivo de Contas já está acontecendo. Só que é um papel bem diferente. Aqui está como vemos o Executivo de Contas do Futuro:

1. Terá a Cabeça Voltada Para Negócios
O Executivo de Contas é a conexão contínua entre o cliente e a agência. Ele deve zelar para que esse relacionamento entregue o resultado mercadológico desejado pelo cliente e simultaneamente entregue resultados de negócios para a agência. Esse equilíbrio é trabalhoso. E não é tarefa simples.
O objetivo é o sucesso mercadológico do cliente. E não apenas a satisfação do cliente.
Isso vai demandar um senso de negócios apurado. Com a habilidade e o discernimento de quem sabe que negócios tipo ganha-ganha não são apenas construídos, mas necessitam ser mantidos durante o estresse diário em que se realizam os trabalhos.
O Executivo de Contas do Futuro não só saberá disso como incorporará em si essa necessidade, porém vai curtir esse esporte de construir e manter uma profunda, forte e recíproca relação de negócios com qualquer pessoa, seja no cliente ou na agência.

2. Fará Ótimos Diagnósticos
Muitos relacionamentos entre cliente e agência não dão certo porque a agência não diagnosticou adequadamente as necessidades dos clientes. As organizações estão cada vez mais complexas. Suas necessidades são difíceis de ser identificadas. Nem tudo que parece, é.
O que os clientes dizem e o que sentem pode ser bem diferente. E o que o cliente quer não necessariamente equivale ao que o cliente precisa.
Nesse cenário, penetrar realmente na psiquê do cliente tem se tornado extremamente importante. Que deverá ser feito de forma mais científica e programática. Superficialidade não tem lugar aqui.
O Executivo de Contas do Futuro será responsável principalmente por entender sistemática e profundamente o cliente por dentro, de forma a que o curso que a agência seguir seja coerente com as necessidades reais desse cliente. Se esse diagnóstico estiver correto, as chances de a agência ter sucesso irão aumentar bastante.

3. Será Um Expert Em Marketing
Infelizmente, muitos executivos de conta falam somente a língua da propaganda. Eles não têm nenhuma formação nas nuances do marketing que são necessárias para realmente entender o que se passa na cabeça do pessoal de marketing do cliente. O que está acontecendo nos canais de distribuição? Quais as alternativas mais apropriadas para os modelos de precificação dos produtos? Quais os desafios que o cliente poderá encontrar de repente?
A internalização das necessidades de marketing do cliente pode assegurar que as soluções que a agência oferece estarão mais holisticamente adequadas. Por isso, o Executivo de Contas do Futuro precisará de muito mais conhecimentos em marketing e de ter a habilidade de integrar essa mentalidade ao pensamento da agência.

4. Terá Habilidade de Pensar Com a Cabeça Consumidor
A comunicação verdadeiramente eficaz pressupõe empatia. E quanto mais o pessoal da agência conseguir enxergar o mundo como os consumidores do cliente o enxergam, melhor.
Ninguém está em melhor posição para assumir a liderança desse padrão de entendimento como o executivo de contas.
Esse nível de entendimento vai muito além de participar de ações como focus groups. Muito além das informações colhidas numa passagem de briefing. Exige que o Executivo de Contas saia de seu caminho e constantemente “coloque-se na pele” do consumidor do cliente. Isso demanda uma incrível sensibilidade para conhecê-lo, com uma intimidade maior que o próprio cliente ou qualquer pessoa na agência.
Lembre-se: pensar como o consumidor do cliente é muito diferente do que pensar como o cliente.
Com esse tipo de conhecimento, o executivo de contas se posiciona de forma a garantir que o trabalho da agência seja não somente relevante, mas eficaz junto a esses consumidores.

5. Será Um Vendedor Habilidoso
Habilidade em vendas não é demérito. Na verdade, é uma coisa nobre. O vendedor tem o seu papel no mundo.
Habilidade para vender é vital para ajudar os clientes a amarrar conceitos embrionários e frágeis. O fato é que os Executivos de Conta de hoje nunca tiveram treinamento ou exeperiência profissional em vendas. Muito do que é utilizado conceitualmente como técnica de vendas é feito na base do improviso.
Isso não é bom. Porque, se o executivo de contas fosse melhor preparado em técnicas de venda, o cliente poderia mais rapidamente perceber e aceitar os benefícios apresentados nas propostas da agência.
6. Abraçará as Oportunidades Oferecidas Pela Mídia Não-Tradicional
A maioria dos executivos de conta se sente confortável com comerciais de TV e anúncios. Porém, a mídia não-tradicional (não só a web, mas muito mais) pode representar um estranho mundo novo para eles. Constantemente, eles evitam ou relegam aos especialistas da agência ou fornecedores. Isso é um grande erro. E potencialmente um grande passo atrás.
O Executivo de Contas do Futuro deverá saber como trabalhar holisticamente por aquele cliente. Por isso, deve ter um entendimento claro de como usar novas técnicas de comunicação de marketing como parte do conjunto de ações para o cliente. E, mais importante, como criar o mix certo entre as ferramentas disponíveis.
Isso não quer dizer que ele precise ser um relações públicas de plantão, um guru da promoção, expert em merchandising ou fera em tecnologia de web. Porém, o Executivo de Contas eficaz deverá ter um grande conhecimento e habilidade no emprego da mídia não-tradicional e como isso se encaixa no cliente como um todo.

7. Pensará Como Produtor
Incorporar esse conceito é provavelmente a mudança mais importante.
No sentido teatral, há uma grande diferença entre ser a “estrela” e ser o “produtor”. Clark Gable era a estrela. Mas, antes de tornar-se estrela, teve de existir um produtor para fazer o show acontecer. Em certo sentido, o Executivo de Contas do Futuro deve se ver principalmente como um produtor em vez de uma estrela.
Essa é uma mudança importante de pensamento. O Executivo de Contas do Futuro é essencialemente o produtor do sucesso da agência com o cliente e, consequentemente, do sucesso do cliente com seus consumidores. Ele é responsável por orquestrar a aplicação de várias disciplinas e diversos talentos que a agência oferece para atingir as necessidades do cliente.
Esse é um nível de responsabilidade muito alto. E é necessário que psicologicamente se opere uma mudança importante na sua forma de pensar. Sua eficiência e eficácia requer um sutil e magistral uso de talento. Nem tanto nem tão pouco. Assim como um maestro, a atuação do executivo de contas deve ser exata.
O Executivo de Contas do Futuro ficará confortável em deixar que os outros brilhem. Ficará orgulhoso em ser conhecido como um produtor de primeira, sem o qual as estrelas jamais brilhariam.

Faltou Dizer

Você vai reparar que até agora não fiz menção à gerência de projetos. A triste verdade é que hoje em dia muitos Executivos de Conta gastam a maior parte do seu tempo gerenciando projetos. Isso é um desperdício de valiosos talentos estratégicos.

Várias agências estão descobrindo que há melhores e meios mais adequados , financeiramente falando, de gerenciar os projetos dos clientes. Isso acontece constantemente quando se amplia e se dá outro nome (gerência de projetos, por exemplo) para a função de Tráfego. Aí o Tráfego se torna algo como um Tráfego com anabolizante.

As pessoas que preenchem este novo papel de gerente de projetos têm contato direto com o cliente, autoridade na agência e ferramentas online sofisticadas para dar andamento e fornecer informações sobre o andamento dos trabalhos.

Mas o seu foco é tático. E libera o Executivo de Contas para questões mais estratégicas. Isso não só é eficiente, mas também bastante eficaz.

Enxergando à Frente

Bem, essa é a nossa forma de ver o executivo de contas do futuro. É um papel revigorante e super focado. Fala a língua da liderança. Requer talento. Requer conhecimento especializado e experiência. Contribui dramaticamente para o sucesso da agência. E isso traz recompensas financeiras e emocionais a seus praticantes.

Até que esse futuro não é nada ruim.

25 de novembro de 2009

Aconteceu em BH o Gestão de Contas na Agência de Comunicação


Nos dias 21 e 22 de novembro aconteceu em Belo Horizonte mais uma edição do curso Gestão de Contas na Agência de Comunicação. Além de gestores de conta, professores, estudantes e donos de agência também estiveram presentes.

Já estamos nos preparando para as próximas edições em outros estados. Fique ligado aqui no FAP, pois em breve divulgaremos data e local do curso.

15 de novembro de 2009

Paz e Amor

Diz-se que na pessoa que é mais verbal, lógica e analítica o hemisfério esquerdo do cérebro comanda, enquanto na que é mais visual, intuitiva e holística o comandante é o lado direito.

Pois veja só: baseado nessa história “cerebral”, o redator americano George Fuller resolveu prestar consultoria para agências de propaganda com o objetivo de ajudá-las a criar um ambiente corporativo em que criativos e executivos de conta se entendam bem.

Para ilustrar os antagonismos, Fuller coloca no seu site uma lista com comentários destrutivos de atendimentos e de criativos a respeito uns dos outros. Alguns bem engraçados. E para continuar a dar um tom divertido a esse papo, ele também produziu um vídeo com a sua música The Fight Song (Canção da Briga), em que ao mesmo tempo toca banjo, canta e representa uma série de situações corriqueiras entre criativos e atendimentos. Com o refrão why can't we all get along? (por que não nos damos bem?) a canção esbanja bom humor e uma boa dose de “paz e amor”.

2 de novembro de 2009

Sobre Ternos e Alfaiates


Volta e meia me lembro da piada do alfaiate. É uma piada “visual”, fica mais engraçada quando a gente conta ao vivo, representando. Então, tente imaginar a cena. É mais ou menos assim. Um cara resolveu fazer um terno sob medida. No dia em que foi experimentar a roupa, reparou em alguns defeitos e imediatamente comunicou ao alfaiate. Começou dizendo: “A manga do lado direito está mais longa que a do lado esquerdo.”. Daí o alfaiate prontamente respondeu: “Ah, isso é porque o senhor está nessa posição. Se levantar um pouco o braço direito, vai ver que ficou perfeito”. O homem, então, levantou o braço e ambas as mangas ficaram na altura correta do punho. “Viu só?”, disse o alfaiate com ar de sabichão. O homem então apontou um defeitinho na calça, uma ligeira prega que se formava na altura do quadril. Mas logo obteve a seguinte orientação: “Ora, se o senhor se inclinar ligeiramente para o lado, vai ver que a prega desaparecerá”. O homem deu uma ligeira inclinada e a prega realmente sumiu. Com um dos braços levantado e o quadril pendendo para o outro lado, o homem então ponderou que num dos ombros do paletó havia outra prega. E novamente o alfaiate o orientou a se retorcer um pouquinho porque o defeito acontecia apenas porque ele estava em determinada posição. E assim a coisa continuou por algum tempo até que o nosso homem acabou completamente contorcido dentro de seu terno novo. Com algum sacrifício, conseguiu pegar a carteira, pagou ao alfaiate e saiu. Já na rua, outro homem vem em sua direção. Olha para ele estupefato e não resiste ao comentário: “Nossa, o senhor é todo torto, mas tem um alfaiate ma-ra-vi-lho-so!”

Uma das atribuições do Atendimento é analisar os projetos antes de apresentá-los ao cliente. Por isso é tão importante o acompanhamento do trabalho junto à Criação, à Mídia, à Produção etc. É durante o processo que as “pregas” ou aquela “manga que ficou mais longa” do que deveria precisam ser ajustadas. Se a análise acontece depois do trabalho pronto, tudo fica mais complicado. Em cima da hora não dá tempo de ponderar nada.

E quem não viu esse filme? É, aquele em que “alguém” banca o alfaiate espertinho que joga uma explicação bizarra para aprovar um projeto sem pé nem cabeça. No final, a comunicação não faz o menor sentido, mas o layout tá lindo!

22 de outubro de 2009

Atendendo a Pedidos - Fundamentos para Atendimento em Novembro

O curso do GAP-RJ Fundamentos Para Atendimento foi transferido para novembro. Recebemos inúmeros pedidos de profissionais que, devido ao último dia do curso ser próximo ao feriado do dia 2/11, não poderiam participar. Então, OK. Está transferido para os dias 7, 14 e 28/11 (sábados).

Para mais informações e inscrição: www.gaprj.com.br

18 de outubro de 2009

Mais Sobre Prospecção

Neste artigo o professor e pesquisador Admir Borges compartilha a sua opinião conosco. Admir também é autor do livro "O Executivo de Contas Publicitárias", já comentado aqui no blog.

EQUIPE E ESTRUTURA DE ALTO DESEMPENHO

Atualmente não temos mais tanta necessidade de discutir a importância da aplicação de técnicas de gerenciamento de projeto de prospecção nas agências de comunicação. Isso é como um par de chuteiras para entrar em campo e não dá para pensar na competição sem os recursos apropriados.

Cada vez mais, as agências precisam estar estruturadas para o desenvolvimento de novos negócios, inovação e gestão profissional de contas. A utilização de métodos avançados de trabalho torna-se essencial na geração de impactos positivos nos segmentos de interesse da agência, bem como nos resultados dos clientes atuais. 

O reconhecimento do mercado e a avaliação positiva da marca, da imagem e da identidade da agência é o primeiro passo para que se possa vislumbrar a captação de novas contas e clientes que farão a diferença no portifolio. Como qualquer outro tipo de empresa, a agência deve estabelecer suas competências essenciais, que lhe garantam legitimidade e visibilidade. Com isso, precisamos responder satisfatoriamente à questão que se coloca aos players competitivos da comunicação publicitária: por que as agências não podem mais prescindir de um departamento, ou setor, de novos negócios que reúna habilidades e competências exclusivas para conquistar e manter clientes?

Tendo em vista que o mercado exige iniciativas organizacionais estruturadas, a gestão de novos negócios e novos produtos publicitários é uma maneira adequada de pensar e agir no compasso das demandas estabelecidas. Na verdade, podemos dizer que essa forma de gestão se configura em uma prática contínua da capacidade do Atendimento Publicitário em liderar os diversos projetos de prospecção e relacionamento planejados pela agência.

Alcançar o sucesso de novos projetos depende do desempenho e grau de conhecimento e de profissionalismo das pessoas envolvidas no processo. Quando se planeja a prospecção de um novo cliente para a agência, os principais itens que devem ser evidenciados estão relacionados com o posicionamento, o conceito e o DNA do futuro cliente, além do perfil dos responsáveis pela comunicação e marketing do prospect, sem esquecer dos riscos intrínsecos da prospecção e a capacidade da agência em gerir o negócio. Missões, Visões e Culturas discrepantes de cliente e agência podem aumentar a possibilidade de fracasso da parceria. As avaliações contínuas do relacionamento com clientes atuais devem ser consideradas e referenciadas em projetos futuros. A experiência acumulada é um fator de redução de riscos, pois, no trato com o mercado, esse é um atributo que não pode ser descartado.

Grande parte dos projetos de prospecção apresenta problemas relacionados com a qualificação dos profissionais envolvidos; com metas indefinidas, ou pouco claras; o baixo envolvimento dos outros departamentos da agência; decisão equivocada pelo prospect; condução apressada e não planejada do processo de escolha e aproximação; falta de objetividade do projeto; insuficiência de portifolio e apresentação pouco cuidada da agência, entre outros.

As limitações de estrutura e recursos inviabilizam projetos de prospecção mais ambiciosos. Por outro lado, a existência de atributos favoráveis, mas atitudes gerenciais negativas e reativas também podem ser inibidoras para a conquista de novos clientes ou desenvolvimento potencial dos negócios da agência. Alcançar os objetivos e realizar metas dependem da mudança de atitude e da cultura empreendedora introjetada na equipe de trabalho, que precisa ser reconhecida como equipe de alto desempenho. Fica óbvia a importância hoje atribuída ao gerenciamento de contas e as ferramentas necessárias ao trabalho de prospecção.

Finalmente, vale ressaltar que as agências precisam urgentemente formar equipes de alto desempenho, pois o mercado se apresenta como estrutura cada vez mais complexa e as demandas do cenário atual exigem inteligência competitiva e qualidade de gestão para obtenção de resultados satisfatórios.

9 de outubro de 2009

Tem Fundamento?

10 Razões Para Você Fazer o Curso Fundamentos Para Atendimento, promovido pelo GAP:

1. Só tem fera dando aula.

2. As aulas são aos sábados, não atrapalham estudos e trabalho. Até quem não é do RJ pode ir.

3. Curso inédito. Aborda todas as disciplinas fundamentais: mídia, planejamento,criação, RTV, produção gráfica e até legislação.

4. A abordagem das disciplinas tem foco no que o Atendimento precisa saber.

5. Julieta Monteiro, Diretora Atendimento F/Nazca vai dar aula de briefing.

6. Amália Machado e Fernanda Abreu, do Grupo de Mídia, vão revelar o que o Atendimento deve saber sobre mídia.

7. Aprenda a evitar dores-de-cabeça e saiba orientar o cliente corretamente. Clovis Speroni, presidente da ABAP-RJ, vai falar sobre legislação na propaganda.

8. Luis Cláudio Salvestroni, Diretor de Criação da Agência3 ensina como o Atendimento deve duplar com a Criação.

9. Tem preço especial para grupos e associados da ABAP. E dá para pagar em 2 vezes.

10. Vai ter aula de Produção Gráfica e Eletrônica: técnicas,timing, processos e por que o Atendimento deve saber tudo isso.

Im-per-dí-vel.

Veja a programação completa e inscreva-se logo, porque agora restam poucas vagas. www.gaprj.com.br/

5 de outubro de 2009

Point Ésse-Vê Acontece em Dezembro

Quem acompanha esse blog já conhece o PSV – Portfolio Sem Vergonha, site que auxilia a produção de portfólio entre estudantes e profissionais de criação publicitária. Tive a alegria de participar como júri de um dos desafios propostos aos criativos (o briefing 9). É, a turma de lá acredita mesmo na integração Criação-Atendimento.

É com alegria também que dou a dica aqui da celebração dos 2 anos do PSV, que será em grande estilo com o evento Point Ésse-Vê – Encontro entre os Participantes do PSV, em dezembro, em São Paulo. “A programação está bem variada e teremos pela primeira vez o julgamento de um briefing ao vivo, já que os desafios e resultados do PSV acontecem sempre via Internet”, conta Mauro Sérgio de Morais, criador do site. Im-per-dí-vel.


Falando em integração e boas dicas, publicamos aqui um texto superbacana de um dos colaboradores do PSV , o Tenório Cavalcanti (foto).  Ele é escritor e  trabalha como redator na Art Office/Curitiba. Tenório confessa: "Sou apaixonado por Atendimento". Não por acaso as suas dicas vão também para os Atendimentos, além dos criativos:

60 DICAS DE UM RED-ATOR

1. Antes de pensar propaganda, entenda marketing. Antes de pensar marketing, entenda gestão empresarial, antes de pensar gestão empresarial, estude muito sobre gestão empresarial.

2. Quando você estiver achando que é muito bom, não peça aumento, peça demissão.

3. Antes de reclamar do salário, reclame de você para você.

4. Se você faz freelance enquanto trabalha numa agência é porque não ganha bem. Se você não ganha bem, faça por merecer ganhar mais.

5. Nunca abandone os clichês. Eles são um eterno material de pesquisa.

6. Toda ideia original é resultado da mistura ou transformação dos clichês.

7. Se sua maior qualidade é ser criativo, mude de ramo.

8. Recuse-se ir a reuniões quando não está preparado.

9. Nada que te deixa dopado acelera o processo criativo.

10. Fazer serão não é regra, é imposição da conveniência.

11. Quem sabe usar o tempo, faz menos serão.

12. Atendimento despreparado é sinônimo de pressão. Sinônimo de pressão é desespero. Sinônimo de desespero é prejuízo. Fim do ciclo.

13. Seu patrão é seu talento.

14. Seu ídolo é seu ideal.

15. Só baixe a cabeça pra fazer rough.

16. No varejo, tenha paciência. Na paz, passe para outro job.

17. Redator: quando estiver depressivo, escreva títulos sobre você.

18. Dir. de arte: quando estiver depressivo, faça um desenho sobre você.

19. Planejamento: quando estiver depressivo, planeje um amanhã melhor pra você.

20. Atendimento: quando estiver depressivo, suicide-se.

21. Você trabalha marcas. Pense em você como marca.

22. Para se conhecer melhor como publicitário, faça uma campanha sobre você mesmo.

23. A melhor defesa é uma boa defesa.

24. A melhor ideia não é a sua, é aquela da qual você se apropria.

25. Fofoca em agência é nova mídia.

26. Briga em agência é ação de guerrilha.

27. Criatividade não é virtude, é obrigação.

28. Não busque prêmio. Busque excelência. Excelência ganha prêmio.

29. Leve para a agência: um lápis e os valores da sua família.

30. Guarde o ego no coldre.

31. Pouca verba tem justificativa. Pouca criatividade não.

32. Quando sair de uma agência para outra, fale bem da anterior. Antes de sair da nova, fale a verdade para justificar a sua última saída.

33. Viaje além do baseado. Se você não fuma, gaste seu dinheiro viajando.

34. Se dizem que suas ideias valem ouro, peça comissão.

35. Público-alvo não segue tendências de propaganda.

36. Quem cria para publicitário é agência de agência. E olhe lá!

37. Em criação publicitária só há um limite: a tênue linha entre o criativo e o ridículo.

38. Se “em casa de ferreiro”… A agência vai mal.

39. Em terra de cego quem tem um olho é publicitário.

40. Não perca tempo buscando referências. Ganhe tempo buscando ser referência.

41. A propaganda que você vê na TV é um refluxo de mil ideias: ou reprovadas, ou empurradas na pressa, ou matematicamente calculadas para virar prêmio.

42. Faltou idéia? Pense ao contrário. Ainda falta? Saia da sala.

43. Compreenda as diversas filosofias e descubra que não vale a pena ter uma só.

44. Se só o Google te salva, mande seu currículo para lá.

45. Só tenha medo de riscos quando estiver desarmado.

46. O que diferencia uma pasta boa de uma ruim é o profissional que está segurando.

47. O melhor remédio para mau caráter é veneno.

48. Cem ideias e sem ideias é a mesma coisa quando não se tem uma solução para o problema.

49. Seja iconoclasta das suas próprias ideias.

50. Melhor que ter um perfil de publicitário, é ser um publicitário novo a cada trabalho.

51. Criação: entenda mais de atendimento que o atendimento.

52. Atendimento: entenda mais de criação que o pessoal da criação.

53. Melhor que ter mil ideias é ter uma solução.

54. Estude casos de sucesso e, principalmente, de insucesso, para saber como não agir.

55. Antes de jogar o briefing na criação, faça um briefing do briefing e jogue na criação.

56. Antes de exigir rapidez, explique devagar qualquer que seja o processo.

57. Melhor do que saber dar um não é saber para dar um sim.

58. Planeje suas folgas. Cultura de trabalho escravo é para quem gosta de ser escravo.

59. Vista a camisa da empresa – por baixo do seu blazer.

60. Vai chegar um momento em que você vai cansar e achar tudo isso muito patético. Parabéns, você é um publicitário de verdade.

1 de outubro de 2009

Novo Curso do GAP-RJ Ensina os Fundamentos Para o Atendimento

Nós do Grupo de Atendimento e de Planejamento começamos outubro superanimados com esse curso que vai fazer a diferença.

O curso Fundamentos Para Atendimento foi especialmente desenvolvido para que o profissional de Atendimento possa solidificar seus conhecimentos em disciplinas fundamentais que o tornarão colaborativo, parceiro, criativo e facilitador do processo de comunicação.

Os professores são profissionais reconhecidos no mercado, com vasta experiência em agências de comunicação, dentre eles representantes de entidades como Grupo de Mídia, ABAP, além do GAP, claro.

As aulas acontecem durante 3 sábados de outubro e as vagas são limitadas a 40 para garantir o melhor aproveitamento da turma. Por isso, é melhor correr, viu?

Programação completa, local, valor do investimento e instruções para inscrição no site do GAP.

A gente se vê lá!

29 de setembro de 2009

Você Pergunta e a Gente Responde - Como Prospectar Clientes?

Após publicar o post Nada Pessoal, Só Negócios tenho recebido vários emails sobre prospecção de clientes. Já que o pessoal anda aflito com esse tema, vamos falar mais sobre isso aqui no blog.
Convidei o Flávio Martino (foto) para dar uma força. Ele é sócio e diretor executivo do escritório da Giacometti Propaganda no Rio de Janeiro, agência com vasta experiência em captação e concorrências. Sua mais recente conquista foi a conta do BNDES esse ano. Selecionei algumas perguntas que ilustram a maioria dos questionamentos enviados e vou deixar quem entende mais profundamente do assunto responder.

Vai que é tua, Flávio.

Pergunta de Lucas Franzini, SP: Uns amigos meus criaram uma agência bem pequena e me propuseram trabalhar como Atendimento sob a condição de ter participação nos lucros dos clientes que eu captar. Porém, não sei como começar, uma vez que nós não temos nome no mercado. Como um diretor de marketing, que está acostumado a tratar com agências grandes e pessoas com mais de 10 anos no mercado, trataria um recém-formado como eu, com apenas 22 anos?

FM - Lucas, antes de sair prospectando, uma agência deve ter real consciência do seu tamanho e na “porta” de qual perfil de cliente deve bater. Um pequeno dever de casa sobre planejamento estratégico. É difícil, pois reza a lenda que “santo de casa não faz milagre”, mas é um ponto muito importante para obter resultado. Com esse planejamento você definirá uma série de pontos, entre eles como deve se apresentar como agência para realizar com verdade o binônimo discurso x entrega.

Prospectar não é receita de bolo, mas acertado esse ponto do planejamento próprio, é importante definir na “porta” de quem você vai “bater”. Falo isso porque acredito que existem clientes para as mais diferentes estruturas de agência. Por exemplo, alguns clientes são grandes demais para uma estrutura pequena, ou melhor, enxuta como a sua. Mas também existem clientes que são pequenos demais para estruturas maiores. Então, se a agência souber focar no seu nicho (olha o planejamento estratégico de novo) e “bater” na “porta” certa aumentará as chances de sucesso.

Agora, o fator idade pesa bastante no momento da prospecção. Acho que um jovem profissional, como você, pode ajudar a prospectar, porém através de um trabalho de inteligência: levantar uma lista de prospects, seus investimentos, quem é quem na estrutura, com qual agência - ou não - ele trabalha, histórico etc. Mas para ficar frente a frente com o prospect o ideal é alguém mais maduro e com mais experiência profissional que você. Porém, isso não impede a sua colaboração e participação nessa visita, se for o caso. É por isso que, em geral, quem faz o trabalho de prospecção são os sócios ou diretores de uma agência, pois possuem mais experiência. Não é só idade que pesa.


Pergunta de Julio Moraes Gomes, Sorocaba, SP: Trabalho há um ano e meio como Atendimento em uma agência que não possui um departamento de novos negócios. Quem faz a prospecção é o próprio diretor, porém eu gostaria de prospectar. Tenho muita capacidade para conseguir novos clientes, de surpreender. Como inicio esse trabalho?

FM - Fique tranqüilo, Júlio, pois poucas agências - aliás, pouquíssimas - possuem um departamento de novos negócios. Em geral, quem trata disso é a diretoria ou os sócios. Então, podemos dizer que existem "pessoas de novos negócios" e não departamentos. Agora, se você tem interesse em prospectar, então vá em frente! É a parte mais complexa do negócio da propaganda. Tenho certeza que seu diretor irá gostar da sua proatividade.

Acho que para iniciar esse trabalho é importante estar alinhado com quem conduz a prospecção. Seu diretor, no caso. Além de alinhar o planejamento de prospecção e saber em que direção vocês estão indo, é importante também definir remuneração. Defendo sempre uma remuneração para quem traz um cliente por toda complexidade que o trabalho implica. A remuneração é feita, em geral, de duas formas: um percentual na receita ou uma participação no resultado/lucro daquela conta. É definir com o seu empregador, em comum acordo, o melhor para os dois lados.


Pergunta de Rodolfo, Piracicaba, SP: Tenho uma agência pequena com mais 2 sócios e outros 4 funcionários. Para manter essa estrutura acabo me colocando mais à frente de novas prospecções, muitas vezes me esquecendo um pouco dos clientes que tenho. Para complicar, há mais de 2 anos tento encontrar uma outra pessoa “capacitada” para trabalhar com prospecção e atendimento, mas é muito complicado. Já passei por muitas experiências desagradáveis, além do tempo perdido. Hoje penso em chamar uma pessoa para fazer o trabalho de atendimento, deixando comigo apenas o trabalho de prospecção de novos negócios, mas ainda tenho minhas dúvidas. Seria esse o caminho?

FM - Rodolfo, essa é uma dúvida que cerca quase todos os empresários do nosso ramo de atividade. Contratar alguém para trabalhar só com prospecção é um tanto complicado para a maioria das agências porque, basicamente, isso requer um profissional sênior com ótima formação, muita experiência na área e uma boa rede de relacionamentos. Requisitos mínimos e, como você mesmo descreveu, não é fácil achar esse profissional. O melhor a fazer é contratar alguém para ajudá-lo no atendimento e você cuidar e focar em novos negócios. Agora, focar em novos negócios não implica necessariamente em se esquecer completamente dos atuais clientes. Aqui vai uma dica: você pode atuar diretamente no relacionamento com esses clientes – almoços, pequenas reuniões e apresentações e fazer um acompanhamento interno das atividades desses clientes.


Pergunta de Danielle, Piauí: Estou passando por um dilema terrível. Já trabalhei só como atendimento, mas está impossível fazer só isso. Aqui na minha cidade temos também que prospectar. Fazia prospecção de ocasião e agora, por obrigação. E já que estou sendo obrigada a fazê-lo, gostaria de indicações para melhorar nesse ramo. Tem alguma dica de livros, blogs, textos, fontes de pesquisa para aprender a prospectar com planejamento, desenvolver uma estratégia?

FM - Acredito que toda a agência tem que ter foco sempre na prospecção. Em geral, todos os funcionários têm que ficar de olhos abertos para as oportunidades, independentemente da sua área de atuação na agência. Quanto mais gente estiver atenta mais cresce a rede de relacionamento e aumentam as possibilidades de conquistas. Só não concordo com a obrigação. Para prospectar é preciso ter vontade e identificação. Também não concordo com a premissa de que atendimento também tem que prospectar. São funções diferentes, atuações diferentes na estrutura da agência e trabalhos-fim completamente diferentes.

Sobre dicas de prospecção, acho que você deve partir da idéia de que não existe uma regra para prospectar. Existem alguns caminhos que devem ser percorridos e levados em conta: é o planejamento, é a rede de relacionamento de quem faz ou colabora com a prospecção. Mas, a partir daí, cada cliente você vai trazer de uma maneira e por um caminho, porque cada cliente terá seus interesses e objetivos próprios. Inclusive a sua própria maneira de ser abordado.


(*) Flávio Martino é formado em comunicação social e pós-graduado em marketing pela FGV e em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela UFRJ. Tem 14 anos de mercado e passou por agências como Publicis e Agência 3, onde exerceu a função de Atendimento. Foi um dos sócios da Thinkers Comunicação Otimizada e hoje é sócio e diretor executivo do escritório da Giacometti Propaganda no Rio de Janeiro.

22 de setembro de 2009

Diretora de Contas da JWT Fala Sobre Sua Palestra no Fest'Up

Conversamos com a Karina Domingues, Diretora de Contas da JWT. Karina é responsável pelo atendimento à divisão latinoamericana dos clientes Knorr, Cadbury, Adams (Halls e Trident), entre outros. Dá só uma lida no que ela nos conta nessa entrevista.


FAP - Quais aspectos você ressaltou na sua palestra sobre Atendimento?

KD - O foco principal foi destacar a importância do Atendimento no contexto atual da comunicação. O número de profissionais, fornecedores e parceiros que temos que coordenar cresce a cada dia. As mídias e mensagens estão cada vez mais segmentadas, o que faz com que o número de peças liberadas numa campanha seja cada vez maior. Por outro lado, a globalização da comunicação nos traz o desafio de ser consistente em toda mensagem que passamos sobre uma marca para o consumidor.


FAP – Como você exemplificou para os estudantes essa complexidade?

KD -
Acredito que esses sejam grandes desafios pra um profissional de Atendimento: a necessidade de implantar formatos de comunicação diferenciados e a de ser global ou regional. Desde o pensamento até a execução. Isso traz uma complexidade enorme para o processo de desenvolvimento de uma campanha. Para ilustrar esse cenário, dividi a palestra em dois blocos. No primeiro, passei um pouco da minha experiência com coordenação regional de Comunicação e apresentei três modelos praticados hoje por marcas globais e explorei como é trabalhar no Atendimento sobre regras globais em comunicação para toda América Latina. E no segundo falei sobre novos formatos de comunicação e novamente explorei o papel do atendimento dentro desse contexto.


FAP - Que tipo de questionamento te chamou atenção?

KD -
Uma das preocupações dos estudantes era a formação. Me questionaram sobre a minha e me pediram dicas nesse sentido. Um dos estudantes, estagiário de uma agência no interior de SP, me fez uma pergunta interessante: como convencer seus clientes a se arriscar num formato de mídia não-tradicional. Esse tema passa (ou já passou) por grandes anunciantes também e achei bastante interessante que um aluno, estagiário de uma agência pequena, esteja antenado com o que está rolando e interessado em implantar formatos de comunicação diferenciados para seus clientes (e, consequentemente, trazer negócios para a agência onde trabalha).


FAP - Que dicas você daria a quem pretende seguir essa carreira?

KD -
É incrível a quantidade de gente que entrevisto que não consegue se expressar bem. Quem trabalha no Atendimento tem que ser perito em extrair informação de clientes e parceiros, tem que saber interpretar texto, tem que saber escrever, argumentar. Acho que isso é importante para qualquer pessoa, mas pra quem trabalha com comunicação é vital. Portanto, frequente as aulas de português, de teoria da comunicação, de filosofia etc. da sua faculdade. Outras dicas:

1. Aprenda a falar inglês e espanhol (não pode ser nível básico, tem que ser fluente pelo menos no inglês.

2. Conheça muito sobre o seu cliente.

3. Escute e aprenda com as outras áreas da agência.

4. Esteja antenado e seja criativo. Sim, atendimento tem que ser criativo para apresentar soluções, para resolver problemas e também - porque não? - para sugerir algo para mídia, planejamento ou criação.

5. O Atendimento também cuida do negócio da agência, por isso esteja atento para buscar novas oportunidades de negócios para a empresa e para gerir bem os recursos pagos pelo seu cliente.

18 de setembro de 2009

Fest'Up - O Que Vai Rolar nas Palestras dos Atendimentos (parte 2)

Nessa edição, o Fest'Up fará uma homenagem ao músico Zé Rodrix no Festival de Jingle. A propósito, o festival tem como tema a campanha Xixi no Banho, da SOS Mata Atlântica. Você pode ouvir os jingles concorrentes no site do evento.

Voltando a falar de Atendimento, nesse post trazemos um bate-bola com    Daniel Jotta sobre a sua palestra.

Com 15 anos de experiência na publicidade, Jotta iniciou sua carreira na ADD Y&R. Depois atuou na Grey, na espanhola Delvico Bates de Madri, na Y&R, Talent, Lew,Lara/TBWA e foi diretor geral de Atendimento e Operações da MPM Propaganda. Atualmente é Diretor de Atendimento e Negócios na Agência Tudo.


FAP - Que aspecto você pretende ressaltar/enfatizar na sua palestra sobre Atendimento?

DJ - Diante do atual cenário das agências e das mudanças do mercado, quais são as diferenças do profissional de Atendimento de ontem para o de hoje.


FAP - Quais são, na sua opinião, os principais desafios do profissional de Atendimento hoje?

DJ – Transformar-se em um gestor de negócios e um guardião da marca. Atendimento leva e traz, nunca mais!


FAP - Que conselho ou dica você daria a quem pretende seguir essa carreira?

DJ - Tentar entender de um grande número de assuntos e segmentos diferentes. Conhecer a respeito do negócio do cliente tanto quanto ele. Gerar negócios! Para a agência e para o anunciante.

Fest’Up – O Que Vai Rolar nas Palestras dos Atendimentos (parte 1)

As palestras acontecem simultaneamente, no sábado (amanhã), das 13:30 às 15h, cada uma numa sala diferente. Por isso, quem estiver por lá terá de optar. Não dá para assistir a todas. Fomos então bater um papo com os palestrantes para que você possa conhecê-los melhor e ter uma ideia do que cada um vai abordar. Começamos com Wilson Negrini.


WILSON NEGRINI
Atendimento há 10 anos. Atualmente é Diretor de Contas na Loducca, responsável por clientes como Red Bull, Dafra Motos e Banco ibi. Trabalhou na Duda Mendonça e Carillo Pastore Euro RSCG e atendeu clientes como: Guaraná Antarctica, Sukita, AmBev Institucional, Pão de Açúcar, Danone, Reckitt Benckiser entre outros. Conheça também o blog do Negrini.


FAP - Que aspecto você pretende ressaltar/enfatizar na sua palestra sobre Atendimento?

WN - Vou falar um pouco mais do que só Atendimento porque acredito que os profissionais precisam ser bem completos hoje. Vou falar superficialmente (porque em 1h é impossível ser profundo no assunto) sobre novas mídias, tendências, e o papel do profissional de Atendimento neste cenário mutante do mercado de propaganda. Farei um paralelo sobre a importância, crescimento e surgimento de novas plataformas e como a TV, jornal, rádio e OOH podem fazer parte de uma mesma estratégia. As “velhas” mídias, como são chamadas hoje, não morreram, principalmente em se tratando de Brasil. O desafio agora é conseguir unificar todas as plataformas de maneira coerente e relevante. Marcas e branding continuam os mesmos, o comportamento e consumo dos meios é que mudaram e continuam em constante mudança. Os consumidores não conseguem mais separar experiência de marca da experiência de produto. Vou mostrar dois cases de Cannes: um da T-Mobile e outro do Zimbawe, que conseguem de maneira brilhante usar todas as mídias de maneira coerente e relevante.

FAP - Quais são, na sua opinião, os principais desafios do profissional de Atendimento hoje?

WN - Hoje mais do que nunca os profissionais de Atendimento são importantes na agência. O grande problema é o nome “atendimento” (não sei qual seria o melhor nome – talvez integrador), somos muito mais do que atendentes. Um bom atendimento deve ser gerador de negócios, devorador de informações, profundo conhecedor do negócio do cliente para poder opinar com pertinência. NÃO somos a agencia no cliente e o cliente na agência. Somos a agencia na agência e a agência no cliente! Devemos entender do negócio do cliente como o cliente ou às vezes melhor do que ele, mas sempre com a postura de profissional de agência. Aqueles ditados do tipo: “Não tem talento, vai pro Atendimento” ou “Atendimento é como bicho de luz, dá 18h e todos aparecem na criação” são culpa dos próprios Atendimentos despreparados. Devemos ser fonte confiável de informação sobre o cliente, veículos de comunicação, tendências e novas mídias. O presente do mercado publicitário pede que todos sejamos parte do processo criativo.

Resumindo, o principal desafio (englobando tudo o que foi dito acima) é ser imprescindível dentro da agência. Devemos ser profissionais completos e atualizados.

FAP - Que conselho ou dica você daria a quem pretende seguir essa carreira?

WN – Você, futuro Atendimento, deve amar propaganda e conhecer o máximo que puder sobre o NEGÓCIO propaganda. Esqueça o glamour (se é que ainda temos isso) e entenda tudo o que puder. Conheça todos os processos de uma agência profundamente.

Gosto muito da frase: Quem não sabe o que pede não pode avaliar o que recebe – essa frase vale para os Atendimentos repassadores de job. Os dias deste tipo de profissional acabaram.

17 de setembro de 2009

Festival Universitário de Propaganda Acontece Neste Fim de Semana

A 21a. edição do Fest'Up acontece dias 19 e 20/9, na FAAP, São Paulo. O evento promete ser, como sempre, um enorme sucesso. Até o dia de hoje já estavam inscritos 1.100 participantes, entre estudantes e professores de todo o Brasil. Segundo a APP, organizadora do evento, ainda dá tempo de participar. Mas é preciso fazer uma reserva ligando para 11 3813-018 (falar com a Jeni). A inscrição é R$110,00.

O evento, que se consolida como um dos mais tradicionais do Brasil para integração e conhecimento voltado aos estudantes de comunicação, contará com intensa programação de palestras, concurso de peças para mídia impressa (15º Concurso Fest’Up de Material Gráfico) voltado para alunos regulares dos cursos de Publicidade e Propaganda inscritos no evento, além do Festival de Jingles.

E atenção: no sábado haverá palestras sobre Atendimento com feras do mercado, como Alexandre Grynberg (NBS), Daniel Jotta (Agência Tudo), Wilson Negrini (Loducca) e Karina Domingues (JWT).

Se você não puder ir, fique ligado. Nós vamos publicar entrevistas com os palestrantes aqui no blog.

Oportunidade Em Osasco, São Paulo

A Br4 Marketing procura um executivo de contas. Leia abaixo a descrição da vaga e, se você se interessou, a hora é essa. Boa sorte!

O que desejamos de você:

CONHECIMENTO
Não importa qual o seu currículo escolar e cursos extra curriculares, mas sim a bagagem que você carrega. mostre-se uma pessoa curiosa, interessada no novo, antenada com as tendências que aparecem em qualquer canto do mundo.

PAIXÃO
Entregar-se para o ofício que você escolheu de coração aberto e isso não está relacionado a trabalhar mais do que qualquer outra pessoa na agência (embora as vezes seja necessário!), mas sim estar no trabalho de corpo e alma, focado. Seja fascinado por querer resolver as necessidades dos nossos clientes, acreditando que sempre podemos fazer melhor e pensar de um jeito diferente.

PROPÓSITO
Saiba o que você quer. Não tenha este emprego como mais uma agência de comunicação e eventos que você passará.

O que podemos oferecer:

Um ambiente de trabalho muito bacana. Uma empresa jovem, em pleno crescimento e ciente de que isso será sustentado com a chegada de novos profissionais. Oportunidade para desenvolver a carreira, afinal de contas será você e o sócio da empresa nesta etapa. Bolsa de R$ 1.250,00 + VT + VR.

Sobre o processo de seleção:

A primeira fase do processo será da seguinte forma: não envie currículo. Mande um email para Fernando Cardoso informando sobre o seu interesse em participar do processo de seleção. Logo depois, você terá 24 horas para contar um pouco sobre você e principalmente sobre como vê o papel do Atendimento de contas publicitárias nos dias de hoje (o que vem mudando e para onde o mercado deve caminhar). Seja breve, pois muitas vezes muito não quer dizer bom!

Deadline da seleção: 30/09/2009

7 de setembro de 2009

Ilusões?

O filme O Mercador de Ilusões (The Hucksters) é um clássico da década de 40. Clark Gable faz o papel do executivo de contas Victor Norman. Charmoso, conquista tudo. Todas. E todos. Inteligente, destemido, elegante. Ele planeja, escreve, dá palpites na direção de arte, decide onde veicular os anúncios e atende diretamente os clientes. Uau! Só o Clark Gable? Não exatamente. Já houve um tempo em que o executivo de contas era o tal e jogava nas 11, mesmo considerando-se os exageros dos filmes de Hollywood. O prestígio da atividade teve seus altos e baixos, mas felizmente nunca se falou tanto como agora sobre a importância desse profissional para o negócio das agências.

Curioso - para dizer o mínimo - o nome do filme em português, não é? Ah, não vou contar o enredo. Só digo que é interessante como nosso herói lida com o fato de ter escolhido a publicidade como meio de ganhar a vida e de ter de aturar certo tipo de cliente.

Pra deixar você com vontade de saber o final da história, coloquei no meu canal do You Tube um trecho em que Clark Gable/Victor Norman participa da sua primeira reunião com esse tal cliente pra lá de difícil. Confira.

2 de setembro de 2009

Curso Gestão de Contas na Agência de Comunicação

Nos dias 29 e 30 de agosto aconteceu a primeira edição do curso Gestão de Contas na Agência de Comunicação em Juiz de Fora. Estiveram presentes profissionais do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Araçatuba, Vitória e, claro, Juiz de Fora. Além de gestores de conta, profissionais de criação, donos de agência e profissionais da área financeira também fizeram o curso, o que prova que, cada vez mais, integração é palavra de ordem e que atender bem nossos clientes é do interesse de todos.

Para quem não conseguiu participar, uma boa notícia. Já estamos planejando uma segunda edição. Você pode reservar a sua vaga com a Hélade Cursos.

31 de agosto de 2009

Gestor de Negócios, Acima de Tudo

Matéria de Hoje no Propaganda e Marketing.

Africa amplia função do atendimento
Márcio Santoro, sócio e vice-presidente executivo da agência, explica como a gestão passa a integrar a área

Leva e trás das agências? Não, o profissional de atendimento passa a ser elemento de integração. Essa é a visão de Márcio Santoro, sócio e vice-presidente executivo da Africa. Ele está mudando a nomenclatura da área de atendimento que passa a ter gestão na sua identidade formal. Santoro enfatiza que não é algo retórico, mas que amplia o escopo das atividades.

Os profissionais destacados são responsáveis por gestão de pessoas, de estratégias e conhecimento, de custos, liderança e postura, e de poder de convencimento, influência,implementação e, também, capacidade de negociação. “Os clientes estão cobrando cada vez mais retorno sobre os investimentos, o chamado ROI, e isso exige que os profissionais envolvidos na operação tenham uma visão mais global dos processos. Não basta criar a campanha, mas enxergar possibilidades além da comunicação. Em campanhas para a Mitsubishi, por exemplo, chegamos a sugerir nomes para novas tecnologias. Esse comportamento garante mais produtividade”, explicou Santoro, que está cursando em Harvard o OPM (Owner/President Management Program). “É um aperfeiçoamento de gestão de marca e desempenho da conta dentro da agência, pois o papel é transcender função original”, ele acrescentou.

Santoro conta com auxílio da executiva Renata Brasil na condução da divisão de atendimento e gestão da Africa. “Ela vem de cliente, como a Souza Cruz, por exemplo, e nos permite identificar uma série de procedimentos de um anunciante. Nosso papel é mais amplo porque há uma clara diminuição das estruturas dos clientes. Temos que suprir essas necessidades”. 

por Paulo Macedo

25 de agosto de 2009

Avaliação de Desempenho

"Sua avaliação como Atendimento é frequentemente determinada pelos erros que você cometeu e não pelo valor de sua contribuição. "

Bruce Kelley (foto), vice-chairman da The Martin Agency.

(leia o artigo completo aqui)


13 de agosto de 2009

Sustentabilidade É Assunto No GAP

Nos próximos dois meses o Grupo de Atendimento e de Planejamento vai discutir o tema Sustentabilidade na comunicação de marcas, produtos e serviços. São cases, entrevistas, artigos e dicas publicadas periodicamente no site.

Olha só o que já está rolando por lá:

Case da agência carioca Binder/FC+M, que implantou medidas sustentáveis conscientizando funcionários em torno do tema.

Entrevista com Nádia Rebouças, uma das primeiras profissionais do mercado de comunicação a falar sobre o tema Sustentabilidade.

Artigo de Rosa Alegria, futurista, pesquisadora de tendências, comunicóloga e ativista de mídia, diretora de conteúdo do Mercado Ético.

7 de agosto de 2009

Lições Que Vão Ajudar Você

Gal Barradas, reconhecida pelo seu trabalho na área de Atendimento e atualmente VP de Negócios da TV1, dá palestra intitulada Lições que vão ajudar você a conquistar seu lugar ao sol. Gal vai discorrer sobre o perfil do profissional de comunicação dos novos tempos.

Vai ser no dia 11/8, na APP, São Paulo. As adesões terão o preço de R$70,00 para associados e R$140,00 para não associados. Mais informações pelo tel. 11 3813-0188 ou pelo e-mail:jeni@appbrasil.org.br.

4 de agosto de 2009

Nada Pessoal, Só Negócios

Novos negócios ou prospecção de novos clientes é assunto muito sério. Tão sério que não deve ser feito de qualquer jeito nem por qualquer pessoa. Tanto assim que agências sólidas e de renome têm um departamento responsável por essa área comandado por um profissional sênior. Outras não têm um departamento, mas cabe a alta direção ou a um executivo sênior a busca de novos negócios.

Para desenvolver negócios é preciso estabelecer uma estratégia. Uma agência deve saber que tipo de clientes quer e pode atender, se os pequenos, médios ou os de grande porte. Definir que segmentos de mercado têm mais a ver com o trabalho que pretende desenvolver. Deve compreender como o seu mercado atua, acompanhar a concorrência. E precisa ter ou desenvolver um poderoso networking. Uma agência deve fazer propaganda de si mesma, divulgar o que anda fazendo de bom. Tornar-se conhecida e cobiçada.

Eu tenho muitas dúvidas sobre como “novos negócios” tem sido entendido por aí. Pelos emails que tenho recebido (e não são poucos), fica parecendo que várias agências não criam nenhum plano de trabalho com estratégia e táticas consistentes com essa estratégia. Por isso, designam um profissional sem nenhuma expertise no assunto para executar essa tarefa tão importante. Um desperdício de energia, para dizer o mínimo.

Fico imaginando uma pessoa checando as Páginas Amarelas e atirando pra tudo que é lado, telefonando pra deus-e-o-mundo oferecendo serviços como se agência de comunicação fosse igual à companhia telefônica oferecendo pacotes de vantagens. Telemarketing ativo não é bem o que eu imagino como metodologia de prospecção de uma agência.

A pergunta recorrente, aquela que não quer calar é: o Atendimento tem a ver com novos negócios? Ele deve estar envolvido diretamente nisso? A resposta é: buscar novos negócios é uma das atribuições do Atendimento, sim. Mas é bom que se entenda o que são novos negócios.

Novos negócios não é somente buscar novos clientes. Novos negócios são novas oportunidades de negócios. E isso começa com os clientes da casa.

Deixar uma conta em velocidade de cruzeiro, ser totalmente reativo, eis aí um pecado seriíssimo. Como o Atendimento está sempre em contato com o cliente, absorvendo a cultura da sua empresa, é mais do que óbvio que ele acabe por apreender mais facilmente o negócio do cliente. E deverá entender do negócio da agência que representa. Como não perceber oportunidades? Isso é o que eu chamo de desenvolver uma conta, torná-la melhor, com retorno tanto para a agência como para o cliente - que com um bom trabalho em comunicação venderá mais, se posicionará melhor no mercado etc. etc. etc. Mas, atenção. O Atendimento é importantíssimo no desenvolvimento da conta, mas não deve ser o único. O cliente é da agência como um todo. A Criação, a Mídia, o Planejamento devem também pensar em oportunidades de ativação da marca e em novas oportunidades de negócio para os clientes da casa.

Quanto à busca de novos clientes, bem, mesmo que formalmente você Atendimento não faça pare da equipe de prospecção, isso deve estar na sua cabeça todo o tempo. Quem pode dizer quando vai esbarrar com alguém num evento qualquer, trocar cartões, conversar sobre trabalho? Isso acontece muitas vezes e o mínimo que você deveria fazer é perceber que aquele pode vir a ser um cliente futuro e colocar seu nome no mailing da agência para que ele receba a newsletter quinzenal. Mas, de novo, isso não deve ser só uma tarefa do Atendimento. Toda a agência deveria estar com isso em mente.

Por último, gostaria de comentar mais uma coisa. Não raro vemos agências colocarem tanta energia na conquista de novas contas que “deixam rolar” com os clientes existentes. Botam a equipe toda nas concorrências e pecam na entrega dos trabalhos dos clientes da casa. O Atendimento pira nessa hora, pois o que dizer para o cliente quando ele começa a cobrar desesperadamente aquela simples alteração no anúncio que demora a ser apresentada?

Enfim, ganhar clientes é um job. Conservá-los também. Pense nisso.

30 de julho de 2009

O Que os Clientes Esperam do Seu Atendimento?

Imperdível. A Escola Perestroika, de Porto Alegre, promove na próxima terça-feira, dia 4/8, às 20h, a primeira edição do "Roleta Russa", cujo tema é O Que Eu Espero do Meu Atendimento?

Os convidados são representantes de 3 grandes empresas anunciantes que vão contar o que eles, clientes, esperam do Atendimento. São eles:

• Tiago Pinto, Diretor de Marketing da Nike no Brasil;
• Marcius Dal Bó, Gerente da Divisão de Marketing da Grendene;
• Thiago Baisch, Diretor de Marketing das Lojas Colombo.

O melhor de tudo é que o evento será transmitido pelo Twitter. Com direito a perguntas “dos internautas” e tudo. Basta adicionar o Roleta Russa e ir em frente.

A gente se encontra lá!

29 de julho de 2009

Quer Se Dar Mal? Pergunte-me Como

Esta lista com 20 Erros do Atendimento foi retirada do livro O Executivo de Contas Publicitárias, de Admir Borges.


Para quem ainda não caiu na real...


PERDER SEM FAZER FORÇA

São várias as maneiras de fazer um péssimo Atendimento e perder clientes, sem que, para isso, você necessite fazer muito esforço. Vamos relacionar aqui os 20 principais erros estratégicos no trabalho de Atendimento Publicitário:

1. Procure enxergar no cliente apenas um Job, ou uma fonte de faturamento para a agência, nunca um parceiro de negócios.

2. Não se antecipe às necessidades do cliente, espere que ele ligue solicitando o Atendimento. O interesse é dele.

3. Critique sempre as opiniões e posturas do cliente, subestimando a sua inteligência. Publicitários são os donos da verdade.

4. Reclame e recuse a primeira alteração no planejamento ou nas peças criadas, pois o cliente nunca sabe exatamente o que quer.

5. Demonstre claramente que a agência é mais importante do que o anunciante. Tem muito cliente à disposição no mercado. E só escolher!

6. Peça o briefing por telefone, de preferência com a ideia dos anúncios formatada; evite muito trabalho para a agência. Na maioria das vezes não compensa.

7. Mostre para o cliente que ele é menos importante do que os outros, pois tem dado mais trabalho do que resultado (faturamento, premiações).

8. Deixe que o cliente faça a mídia; assim a sua culpa fica menor nos fracassos.

9. Marque visitas em horários impróprios e, de preferência, atrase.

10. Nunca aceite sugestões, reclamações ou imposições do cliente. Você não depende dele para viver.

11. Satirize as decisões do cliente, principalmente para o pessoal da criação e da mídia.

12. Demonstre dificuldade em negociar custos, pois a agência não pode perder dinheiro.

13. Perca o contato com os clientes inativos. Tirar dinheiro deles já é praticamente impossível.

14. Nunca proponha novas ideias aos clientes antigos; afinal, não há motivo para tanto esforço.

15. Passe o briefing para a criação e esqueça. Quando a campanha estiver pronta, eles avisam.

16. Leve a campanha para o cliente sem saber exatamente quais são as propostas. Lá, na hora, você se vira, enrola...

17. Atue sem observar a ética profissional, pois muita gente trabalha desta forma.

18. Procure se envolver em politicagens e negociatas. Se você não ganha, outros vão ganhar.

19. Culpe a criação e a mídia pelos fracassos e perda de clientes. A culpa é sempre deles.

20. Posicione-se como a pessoa mais importante da agência, pois sem você não haveria cliente e, muito menos, faturamento. Dê as cartas.
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P.S. No curso Gestão de Contas, que acontece no final de agosto, vamos abordar como proceder para nunca errar assim tão feio.

20 de julho de 2009

Vem Aí o Curso Gestão de Contas na Agência de Comunicação

No próximo mês vou ministrar o curso Gestão de Contas na Agência de Comunicação. O curso terá a duração de um dia e meio, e acontece dias 29 e 30 de agosto (sábado e domingo), em Juiz de Fora/MG.

Por que um curso sobre gestão de contas?
Porque a publicidade é um negócio que pressupõe a construção e manutenção de relacionamentos entre as agências e seus clientes em busca do desenvolvimento das marcas e dos melhores resultados de negócio. E é o profissional de Atendimento que está na linha de frente dessa relação.

O que vai ter no curso?
O curso vai demonstrar a relevância desse profissional e por que a profissão de Atendimento Publicitário é não só uma das mais estimulantes do mercado da publicidade como também parte fundamental para o negócio das agências.

O programa abordará desde a evolução da atividade, até as características necessárias, a relação com os diversos atores (clientes, departamentos da agência, fornecedores etc.), ferramentas úteis, ética no exercício da profissão e a administração da carreira.

Mais informações e inscrições na Hélade - Centro de Desenvolvimento Profissional. Tel.: 32 3215-5138 / MSN: heladejf@hotmail.com / Skype: heladejf

ATENÇÃO: para um melhor aproveitamento do curso, as vagas são limitadas. Portanto, programe-se já para não perder. Dica: se precisar de hospedagem, aproveite o desconto do Joalpa Hotel. É só ligar para 032 32156055 e mencionar o convênio com a Hélade Cursos.

15 de julho de 2009

Você Pergunta e a Gente Responde - Caí de Para-Quedas no Atendimento, e Agora?

Não tenho formação em Publicidade (sou jornalista), mas estou trabalhando no atendimento de uma agência especializada em internet e ainda me sinto um pouco perdida. Já li muita coisa legal no seu blog e preciso dizer que ele tem me ajudado bastante. Achei que você, talvez, pudesse dar algumas dicas para pessoas como eu, que acabaram caindo de para-quedas no atendimento sem conhecer muito bem o mercado de Publicidade. Eu tenho uma experiência no atendimento em agência de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. Já percebi que o dia-a-dia tem muito em comum, mas muita diferença também e de vez em quando bate aquela insegurança.

Inês Barreto, São Paulo



Querida Inês,

Como se diz por aí, talvez o buraco seja mais embaixo. Citando o Walter Longo: “Não existe Atendimento forte com profissionais fracos. E de nada adianta bons homens de Atendimento sob uma direção frágil, preocupada em não fixar regras e parâmetros (...)”. Portanto, que fique claro: existem os dois lados dessa relação, isto é, o seu, que quer se aprimorar para exercer melhor o seu ofício, e o do empregador, que te contratou porque precisa de alguém que o ajude a tocar a empresa. É por essa perspectiva que quero abordar o assunto.

Sabe, há no mercado, ainda, desconhecimento a respeito da importância da função de Atendimento de publicidade para o crescimento do negócio da agência, por isso ainda vemos agências contratando profissionais inexperientes (e até despreparados). É claro que isso pode ter implicações financeiras também (menos experiência, menor salário). Entretanto, quero acreditar que o seu empregador quer o melhor para a empresa e para seus funcionários. Quero crer também que ele tem conhecimento pleno sobre as suas qualificações, que sabe que você tem algum conhecimento sobre a função - e, portanto, potencial - , mas que talvez não tenha a experiência necessária para exercê-la com mais propriedade em uma agência. Sendo assim, proponho que você converse com ele sobre a possibilidade dele te propiciar/financiar alguns treinamentos específicos, a fim de que você se aprimore. Procure colocar as coisas em perspectiva, isto é, você quer melhorar para que a empresa melhore como um todo. É um investimento mais do que justo nessa "via de mão dupla".

Sucesso,
Kátia Viola

14 de julho de 2009

Portfolio do Atendimento 2

Já publicamos aqui algumas dicas para compor o portfolio de um Atendimento. Agora, trazemos outras bem legais que o professor Don Dickinson, da Universidade de Portland, publicou em seu livro The New Account Manager .

Como Montar seu Book

Estudantes que aspiram a um posto na criação são treinados na arte de montar um portfolio (ou book) com trabalhos que os ajudarão a conseguir um emprego. Mas gestores de conta não são diferentes. Seu book mostrará como você pensa e como você vende (nesse caso, você).

O portfólio de um Atendimento recém-formado que procura emprego deve conter:

- Exemplos de trabalhos realizados ou campanhas em que você trabalhou durante seu estágio. Inclua uma breve explicação por escrito sobre que papel você desempenhou.

- Projetos de publicidade em que você trabalhou durante a faculdade ou como voluntário de algum serviço comunitário.

- Um documento escrito por você, preferencialmente uma proposta ou um relatório.

- Cartas de recomendação que especifiquem suas habilidades em publicidade ou marketing.

- Exemplos de anúncios até no máximo de três campanhas recentes que você realmente gostou. Escreva um parágrafo explicando por que você gosta das campanhas. Faça observações acuradas. Pense na estratégia subliminar, nos insights-chave e na integração.

- Artigos sobre você ou projetos de publicidade nos quais trabalhou.

- Até uns três artigos de veículos do trade que você ache especialmente interessantes. Assinale as frases-chave. Se os artigos falarem de assuntos que dizem respeito ao Atendimento e seu entrevistador ainda não os tiver lido, talvez ele te peça uma cópia. Não é bacana isso?

- Seu histórico escolar.

- Algo para colocar tudo isso dentro. Uma loja bacana que venda pastas terá certamente portfolios. Invista num bom material que te ajude a apresentar o conteúdo que você preparou.

5 de julho de 2009

Diga-me com quem andas, e eu te direi quem és

Esse foi o nome do Fórum do GAP, que aconteceu nos dias 29 e 30 de junho, no Rio de Janeiro. O evento reuniu 120 profissionais em torno do debate sobre os papéis do Atendimento e do Planejamento.

A escolha desse título não foi à toa. O que a gente queria era provocar de antemão uma reflexão sobre quem somos nós no universo das agências, quais os nossos papéis e de que forma nos relacionamos.

Os palestrantes foram Julieta Monteiro, Diretora de Atendimento da F/Nazca e Gustavo Otto, Diretor de Planejamento da McCann-Erickson (juntos na foto).

Além das palestras, houve também debates com profissionais das áreas de Mídia e Criação para aprofundar a discussão sobre os papéis do Atendimento e do Planejamento e estimular a integração entre as áreas. Os convidados foram: Álvaro Rodrigues (Dir. de Criação da Agência3), Fátima Rendeiro (Dir. Mídia da Quê e Diretora de Inovação e Integração do Grupo de Mídia), Flávio Cordeiro (Dir. de Planejamento e Mídia da Binder) e Flávio Medeiros (Dir. de Criação da Heads e Presidente do CCRJ).

Separei aqui algumas frases bem legais sobre Atendimento ditas durante o evento:

“O mundo mudou, a comunicação mudou e o Atendimento está em constante evolução. Morreu um tipo de perfil profissional, mas não a atividade.“
Comentário de Julieta Monteiro, diretora de Atendimento da F/Nazca, sobre a tão controversa “morte do Atendimento”.
“O Atendimento é o advogado do cliente na agência e o embaixador da agência no cliente”.
Citação da excelente definição de Andy Law, co-fudador da agência St.Luke’s, Londres.
“O bom Atendimento é o meu melhor dupla”.
Álvaro Rodrigues, diretor de criação da Agência 3, quando perguntado sobre a importância do Atendimento no trabalho da Criação.

“O Planejamento é a MENTE. A Mídia é a VISÃO. A Criação é a EMOÇÃO e o Atendimento é o SANGUE, que circula por todo o corpo e alimenta tudo isso.”
Parte da apresentação do Gustavo Otto, diretor de planejamento da McCann-Erickson.


Se você não pôde participar, veja a cobertura no site do GAP com um resumo das palestras e uma entrevista bem bacana com a Julieta Monteiro.

4 de julho de 2009

Tirou 10!

Uma Viagem Em Busca das Relações Agência-Anunciante e dos Modos de Fazer Atendimento nas Práticas Publicitárias Atuais. Esse é o título da monografia de Natalye Dornelles Martino (foto). Um meticuloso trabalho sobre Atendimento para a conclusão do curso de Comunicação Social – PP, da Universidade Federal de Santa Maria, RS.

Natalye leu à beça, pesquisou, viajou, entrevistou profissionais e anunciantes e também utilizou o blog Fazendo Atendimento Publicitário como fonte para o seu trabalho.

E o melhor de tudo: tirou 10 e nos autorizou a compartilhar sua monografia com os leitores desse blog (leia AQUI).

Parabéns e obrigada, Natalye. Tenho certeza de que muitos estudantes e profissionais vão aprender muito com o seu trabalho.

Que seu caminho seja cheio de sucesso.

20 de junho de 2009

Você Pergunta e a Gente Responde - Como Demonstrar Que Tenho Talento Mesmo Não Tendo Experiência?

Curso o 2° ano da faculdade, tenho 18 anos, e com certeza quero seguir no atendimento, é uma área que eu gosto muito. Gostaria que me desse algumas dicas em relação ao que posso oferecer, mesmo sendo ainda universitária. Quero argumentos que convençam os responsáveis por essa área que eu tenho capacidade de estagiar em sua agência.
Karina Sousa, São Paulo


Sou formado em Marketing Estratégico e tenho habilidades para área de Atendimento, porém não tenho experiência. Gostaria de saber como preparar melhor o meu currículo para conseguir uma oportunidade na área. Sei que o Atendimento vai muito além de ser comunicativo, ter dinamismo, poder de persuasão, saber trabalhar em equipe e boa fluência verbal. Demorei para descobrir o meu dom e tenho a plena consciência que ainda preciso ser lapidado para assim desenvolver as minhas potencialidades.
Fábio, Rio de Janeiro



Karina e Fábio, sejam bem-vindos ao time do Atendimento. Há pouco mais de um ano escrevi exatamente sobre isso aqui no blog. Vocês podem dar uma olhada no post Portfolio do Atendimento, aqui.

Espero que façam bom proveito das dicas.

19 de junho de 2009

O Profissional Camaleão

por Bruno Villas-Bôas, planner

Ao contrário do que o título desse post sugere, não fizemos qualquer tipo de experiência genética nos Atendimentos para que, mais fortes e ameaçadores, aprovem todos os jobs junto aos Clientes(até que não seria uma má ideia, heim ?!). O nome “Profissional Camaleão” veio de uma situação que vivi jogando futebol com amigos certa vez. Explico...

Antes que a internet, o I-telefone (nesse blog não fazemos merchand) e as cervejas redondas tomassem conta da minha pessoa, eu era um jovem publicitário adepto de certas práticas esportivas. Como já devem ter deduzido, o futebol era uma delas. Contudo, ao contrário do que imaginam, me considerava um jogador ruim, sem intimidade com aquele objeto circular chamado bola. As noites rezumiam-se ao banco de reservas, quietinho, quase um “camaleão”, permanecia camuflado num canto rezando para que não fosse escolhido e os outros julgassem minhas habilidades futebolísticas.

Contei essa história para ilustrar o tipo de profissional que dá título ao post. Preocupados com o que os outros irão pensar, nos transformamos em meros camaleões no dia-a-dia. O medo da exposição, das opiniões alheias, faz com que fiquemos invisíveis, paralisados. Quem aqui já não viveu algo semelhante no escritório, em uma reunião ou falando com o chefe?

Toda postura, na vida ou no futebol, resulta em “custos operacionais” que precisamos gerir. Bom, ruim, não importa, a grande questão está em percebermos que só uma ação será companheira da nossa criatividade: a Tentativa.
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P.S. Dá uma olhada só nesse vídeo.


Bruno Villas-Bôas é Planejador, mas começou a careira como Atendimento. Por aí já dá pra perceber que o cara tem experiência em fazer perguntas e se tornou especialista em observar pessoas e situações. Poderia ser apenas um psicólogo de plantão, mas resolveu ser publicitário. Além dos inúmeros planejamentos e insights, ele ainda arruma tempo para trabalhar pesado junto ao Grupo de Atendimento e de Planejamento do Rio de Janeiro (GAP), ficar postando em blogs e tweetando por aí.

14 de junho de 2009

Fórum “Atendimento e Planejamento: diga-me com quem andas, e eu te direi quem és”

Vem aí o novo fórum do GAP, nos dias 29 e 30/6, no Rio de Janeiro. O objetivo é discutir os papéis do Planejador e do Atendimento Publicitário, suas diferenças, seus pontos de contato. E tudo isso abordado tanto do ponto de vista desses profissionais como dos demais departamentos da agência.

O Fórum terá como facilitadores Julieta Monteiro, Diretora de Atendimento da F/Nazca e Gustavo Otto, Diretor de Planejamento da McCann-Erickson, além de convidados das áreas de mídia e criação e gestores de agência.

Para saber mais e fazer sua inscrição, clique AQUI.

3 de junho de 2009

Ainda Sobre a Paródia da Campanha da Monster


Eu até sabia que muita gente ia curtir o vídeo, mas nunca imaginei que em 3 dias ele fosse estar cotado como o 54º mais visto do You Tube. A coisa se espalhou de tal forma que, sem perceber que fora eu quem traduziu e fez o upload, pessoas me repassaram, recomendando que eu assistisse. E os comentários? Muita gente achando graça, outros lamentando, mas todos de certa forma concordando que “é a pura verdade”, se identificando de alguma forma com aquilo.

Eu me divirto com coisas assim. E também com os quadrinhos do Dilbert, com a série The Office (gosto mesmo é da versão britânica) e quando leio livros ou artigos que ridicularizam a vida corporativa. Afinal, para que suar tanto a camisa, virar noites, passar a maior parte do meu dia com pessoas que não escolhi para conviver e não conseguir rir disso tudo? OK, dizem que rir de si mesmo é saudável.

Aliás, outro dia comprei o livro 100 Bullshit Job...And How To Get Them, do Stanley Bing. O cara listou e descreveu 100 profissões e as classificou segundo uma “fórmula matemática” que determina o quociente de bullshit de cada uma delas. E ele ainda explica como seguir essas carreiras e o que esperar do futuro. Hilário, ácido, crítico, bem escrito. Mas, adivinhe! Uma das profissões listadas é a de publicitário...

Segundo Bing, nossa profissão atinge a marca de 100 % de pura bullshit. Um alívio: não pense que estamos no topo da lista. Bullshit é um quociente que pode chegar a muito mais que 100%. No livro há outras profissões que nos ultrapassam no ranking de bullshit, como por exemplo: a moça do tempo, o media trainer, o headhunter, o astrólogo, o chairman etc. Enfim, há bullshits e BULLSHITS.

Porém há coisas que não me divertem. Separando o joio do trigo, eu diria que uma coisa é ler um livro inteligente, assistir a um vídeo que tem conotação crítica e perceber isso. Outra coisa é ter que lidar no dia-a-dia com piadinhas por causa de estereótipos que nos impõem a partir de uma falta de conhecimento total sobre o que realmente fazemos na nossa profissão. Em termos de comportamento, somos estereotipados como egocêntricos-moderninhos (os criativos) e puxa-sacos (a turma do atendimento). E, de uma forma geral, independentemente da área em que trabalhamos, somos os inescrupulosos, os antiéticos, os faz-tudo-por-dinheiro.

O que eu estranho é que todos nós sabemos disso e não há um movimento da classe para reverter o fato, para trabalhar melhor a nossa imagem.

É importante que a gente tenha uma visão crítica do que faz. Embora nem sempre isso aconteça, acho que pensar criticamente faz a gente agir criticamente também. E a cometer menos erros, a respeitar nossa profissão e nossos pares. Mas às vezes me parece que a gente aceita as coisas como “verdade” e acaba levando a vida como se não tivesse jeito mudar alguma coisa para melhor.

Será que no fundo a gente acha mesmo que o que fazemos é pura bullshit?