9 de janeiro de 2016

Atendimento Sem Experiência Tem Chance de Ser Contratado?

Kátia, achei você e tão apaixonada pelo que faz que resolvi pedir sua ajuda. Sou formada em Propaganda e Marketing pela ESPM, trabalhei por uns três anos como diretora de arte e um belo dia resolvi mudar. Virei produtora de eventos e há 10 anos trabalho na área. Mas, mais uma vez, não me encontro na profissão. Depois de muito pensar, acredito que eu me daria bem sendo Atendimento, pois além da produção em si, em grande parte do meu dia-a-dia faço uma espécie de atendimento. Não sei por onde começar, ainda mais com 33 anos de idade. Cursos? Enviar CVs para as agências em geral ou para agências de eventos?  

Ligia Moraes, São Paulo


Querida Ligia,

Que coincidência! No final de 2015 fiz um trabalho de coaching de Atendimento para uma profissional que tinhas questões bem semelhantes às suas. O desfecho foi muito positivo, com ela já iniciando 2016 como Atendimento de agência. Conto essa história para te agradecer pelo envio da mensagem, pois você criou uma linda oportunidade de discutirmos esse assunto aqui no blog, e tornou possível para outras pessoas se beneficiarem de algumas orientações.

Primeira observação: sua mensagem contém as perguntas e as respostas. Portanto, o que vou procurar aqui é oferecer uma orientação a respeito de como colocar as suas ideias em prática. Vamos lá.

Dica 1: experiência em atendimento é algo mais amplo que atuar como atendimento

Não necessariamente as agências contratam quem já foi atendimento de agência para atuar no departamento. Quer um exemplo? Profissionais oriundos do marketing de anunciantes costumam ser contratados. Esses profissionais trazem para as agências uma importante visão sobre o outro lado do balcão. E você, o que tem para oferecer que pode soar como música para um possível empregador? O que você sabe fazer bem que pode agregar à área de Atendimento? Você diz que faz “um certo atendimento” na empresa atual. Imagino que você lide com fornecedores, com os clientes da empresa, que tenha que negociar bastante, gerenciar equipe, se relacionar. Além disso, trabalhando na área de produção, acredito que tenha desenvolvido senso de urgência, que sabe lidar com prazos e orçamentos apertados. Pode ter também gerenciado verbas importantes, grandes, uma baita responsabilidade. A chave de um bom CV é exatamente essa: construa-o – e treine o seu discurso, para a hora da entrevista –  de forma a mostrar as habilidades que você tem e que são úteis na função de atendimento, mesmo que você não seja (ainda) atendimento.

Dica 2: Network é pra ser usado

Óbvio que para qualquer posição que você almeje tudo fica mais fácil se alguém já conhece o seu trabalho. Mesmo que você não tenha atuado como Atendimento, comece a falar com algumas pessoas conhecidas que você tem vontade de migrar para a área e explique o porquê usando aqueles argumentos que discutimos acima (mais uma vez, a importância de preparar o discurso a seu favor).

Dica 3: Construir network na área em que deseja atuar não é um bicho de sete cabeças

Por isso mesmo, não saia por aí enviando seu currículo e ligando depois para saber se poderá se encaixar numa possível vaga. Faça uma pesquisa e selecione as agências em que deseja trabalhar. Claro que acho interessante e recomendável você incluir nessa lista as agências de produção de eventos, pois eles precisam de atendimentos com conhecimento de causa e isso pode facilitar as coisas pra você. Ligue para os diretores de atendimento das agências, apresente-se e diga que gostaria de abraçar a carreira de atendimento e gostaria de conversar a respeito, obtendo alguns conselhos e dicas, exatamente como fez aqui comigo. Sim, é isso. Não peça emprego, peça dicas, peça um tempo mínimo, peça conselhos. Tenho certeza de que muitos de meus colegas de profissão não te negarão um papo. Conseguindo um encontro presencial, prepare-se bem com as dicas que já te dei. Seja sincero (humilde), mas firme. Ouça muito. Voilà! Olha só quanto networking você estará fazendo. Essas pessoas vão te conhecer e, quem sabe, simpatizar contigo, gostar do seu jeito, da sua postura profissional e te dar uma chance ali mesmo ou te indicar para outra agência. 

Dica 4: Cursos sempre. Estudar sempre. Aprender sempre

Alás, essa também é uma ótima oportunidade de networking. 
Fique ligada no blog e na página Fazendo Atendimento Publicitário no Facebook. Sempre dou dicas de cursos (à propósito, vou dar um workshop de Atendimento dia 16/1, sábado, no RJ). 


Dica 5: Esquece esse negócio de idade, viu? ;)


4 comentários:

Thiago Borba disse...

Olá.
Gostaria apenas de contar minha pequena história relacionada ao tema.
Até fevereiro eu era analista de mkt em uma indústria, devido a crise o primeiro setor que é cortado é o de mkt.
Depois de sair pensei muito o que fazer, mandei vários CVs e nada. Até que um dia fui chamado para uma conversa na agência que eu contratava para organizar os eventos que eu fazia na indústria.
Hoje eu sou o atendimento da agência, sendo que nunca havia trabalhado nesse posto antes. Estou muito feliz com isso.
Ahhh, tenho 35 anos e não tenho problema nenhum em recomeçar.

Kátia Viola disse...

Thiago, obrigada por compartilhar sua história. É isso aí, também recomecei algumas vezes e não me arrependo. Sucesso e bem-vindo ao Atendimento!

Thiago Cal disse...

Ae xará, agora é a minha vez de começar de novo. Tamo junto! rsrs
Kátia, seu blog foi a salvação aqui. Muitas informações de qualidade que ajudam muito a entender mais sobre a área. Gratidão.
Sucesso para vocês.

Kátia Viola disse...

Thiago Cal, fico felliz em poder ser útil. Conte comigo e bem-vindo ao fascinante mundo da gestão de contas. Um gde abraço da Katia Viola