24 de janeiro de 2011

Errando Também Se Aprende

Aconteceu comigo no início da carreira. Trabalhava numa das maiores agências do Rio de Janeiro. Fazia parte de um grupo de atendimento que lidava com a conta mais importante da agência.

Meu momento de carreira era promissor. Trabalhando em uma agência de peso tinha a oportunidade de estar ao lado de profissionais incríveis e muito respeitados no mercado. Não era apenas questão de construir uma network interessante, mas uma baita oportunidade de aprender com gente grande. Já era hora de dar um upgrade de função, passando de assistente a coordenadora. Se continuasse a mostrar serviço e a aprender como se fazia, e a fazer bem feito, não demoraria a ser promovida.

Foi aí que o cliente nos passou a missão de criar uma campanha de reposicionamento de um de seus produtos. Uma tarefa difícil, mas que fora meticulosamente planejada e criada. A diretora de contas do meu grupo trabalhou duro desde o início acompanhando e liderando todo o processo. No dia anterior à apresentação tudo estava pronto e nossa reunião com o cliente seria logo no primeiro horário do dia seguinte.

Como eu era assistente da conta, procurei me ater mais ao dia a dia dos trabalhos em andamento do que a essa importante apresentação. Confiando que a responsabilidade pela apresentação não estava em minhas mãos, deixei a coisa fluir e não me envolvi no assunto. Estava tudo ensaiado pela diretora da conta e o diretor da agência acreditava que as coisas seriam executadas conforme o combinado.

No dia seguinte, cheguei à hora combinada. O diretor da agência também. Mas a diretora da conta estava atrasada, pois um engarrafamento provocado por um atropelamento impedia o trânsito de fluir. O cliente chegou e estava ansioso para saber o que havíamos preparado. Pedimos que esperasse uns quinze minutos na esperança de que a diretora da conta chegasse. Porém, ela nos ligou para informar que do jeito que a situação estava não conseguiria chegar tão cedo.

O que fazer senão conduzir a apresentação sem ela? Muito óbvio quando se tem o domínio do assunto. Mas eu não tinha. Não sabia de muitos detalhes por não ter seguido de perto o trabalho mais importante daquele momento. E não me sentia segura em conduzir uma reunião desse porte. Obviamente, mesmo que tivesse conhecimento mais amplo do assunto, eu, como assistente da conta, não seria a pessoa mais indicada para conduzir a apresentação. Porém, isso não impediria que eu demonstrasse segurança e que apoiasse a diretoria da agência no que fosse necessário. Como não estava preparada nem em termos de conhecimento, muito menos emocionalmente, gelei e acabei não fazendo nada para ajudar. Emudeci, fiquei invisível. E em nada contribuí para o trabalho.

O resto da história você pode imaginar. O cliente, além de aborrecer-se pelo atraso, deve ter saído da apresentação com a forte impressão de que o grupo que o atendia não estava exatamente comprometido com a sua campanha. E eu perdi a chance de mostrar meu comprometimento e conhecimento perante várias pessoas que ali já eram parte de minha network. Deixei uma impressão ruim quando poderia ter deixado a melhor das impressões, facilitando assim a sonhada promoção. Mesmo que eu não tivesse experiência, deveria estar mais envolvida. Ninguém iria exigir de mim aquilo que eu não poderia ainda oferecer, mas minha atitude mostrou um despreparo que poderia ter sido evitado.

Mesmo sendo a parte hierarquicamente menos significativa, fazemos parte de uma equipe que precisa de nossa contribuição. A gente se acha desimportante por pura ingenuidade. E quem nos considera desimportante sofre de miopia. Numa equipe cada um tem seu papel, mas todos precisam estar afinados com o todo.

Como Atendimento, a intenção não é controlar o que se faz para preencher uma planilha de follow, mas de compreender todo o processo, interferir no sentido de ajudar e melhorar o que assim precisa, unificar discursos. Vale ficar aflito quando a criação não fala com a mídia, que por sua vez planeja as veiculações sem levar em conta que meios serão adequadas ao que está sendo criado. Vale dar uma chamada geral quando perceber uma conversinha aqui e outra ali e não o grupo todo se falando e trocando ideias. É preciso fazer parte.

Se o avião atrasou, se alguém tem uma dor de barriga, se o filho ficou doente, se o carro parou, o show tem que continuar.

Um comentário:

William disse...

Sou assistente de uma agência digital no Sul e vejo estes casos acontecendo no mercado mtas vezes. E na maioria os assistentes não conseguem atuar como atendimentos por despreparo, não acompanhamento do projeto ou por a ag. não permitir. Aprendi que se um dia quero ser executivo devo desde sempre me portar e ser cobrado como o tal. Vem dando certo. =D


@william_avila